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A vocação da boa política

A ansiedade é péssima analista da realidade, especialmente da política. No afã de decretarem o fim de um governo 14 meses antes do prazo, alguns jornalistas e comentaristas políticos, além de roucas vozes do "quanto pior, melhor", correm para afirmar que nada relevante será aprovado até a posse do próximo presidente, em 2019. Dá para levar a sério a hipótese de paralisia até lá? Provar que as vivandeiras estão enganadas é dever não só do governo Michel Temer, mas de cada deputado e senador efetivamente dedicado ao…

O futuro do Brasil em nossas mãos

Daqui a menos de um ano, o Brasil saberá quem governará o país de 2019 a 2022. Mas o próximo presidente da República responderá por mais do que quatro anos do futuro nacional: será ele um símbolo de que a racionalidade supera o voluntarismo, de como a ação estratégica na política se sobrepõe à ingenuidade do falso moralismo e, principalmente, da capacidade de convergência e construção de unidade em torno de um objetivo maior. É claro que tudo isso só será verdade se um projeto coeso, maduro e consistente se viabilizar e…

Lula não muda, mas o Brasil muda, sim!

Atribui-se ao economista John Maynard Keynes a frase: "Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião". Seria uma resposta a uma provocação de Winston Churchill, tampouco comprovada, na qual se teria duas opiniões diferentes se fossem ouvidos dois economistas, e três se um deles fosse Keynes. Ainda que se trate de mero folclore da vida pública britânica, é possível tirar lições dessa anedota de 80 anos atrás. Não há demérito algum em se mudar de opinião diante da constatação de uma medida que se revela ineficiente, de um erro…

Para que servem as elites?

No seminário que o Instituto Teotônio Vilela e a Fundação Astrojildo Pereira promoveram no mês passado, o jornalista britânico Adrian Wooldridge encerrou sua palestra sugerindo uma volta ao debate filosófico do qual pensadores ingleses como Thomas Hobbes e John Stuart Mill foram pioneiros: para que serve o Estado, qual o limite de seu poder e como ele pode funcionar melhor em nosso modelo de democracia ocidental? São perguntas cuja pertinência atravessou quatro séculos e que se mantêm tão relevantes hoje quanto na…

Grande e luminoso Ulysses!

13 de outubro de 1992, sete horas da manhã, fazendo uma caminhada no Rio de Janeiro, leio a notícia numa banca: desapareceu helicóptero com Ulysses Guimarães. Por ter vivido trágica e semelhante situação na minha família, pensei no pior. Mas a angústia logo foi associada à torcida por uma emergência salvadora. Uma hora depois, com a família no carro e rádio ligado, iniciamos a volta para Sampa. Paramos em Aparecida. Fomos ao santuário. Pedir pela vida de Ulysses e dos que o acompanhavam: a esposa, Mora, Severo Gomes e Ana…