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A dura realidade de dois catadores de papelão em contraste com as diárias pagas a promotores para a Copa

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Fotos que fiz no dia 11 de junho, uma quinta-feira, ao meio-dia de dois catadores de papelão em frente ao prédio onde moro. Desci para conversar com eles. Me disseram que tinham começado o trabalho no Itaim as 7 horas.

Estavam com o veículo carregado e, em seguida, iriam fazer a entrega na Zona Norte.

Levam cerca de 1 tonelada de papelão. Vendem a 30 centavos o quilo, o que dá R$ 300. Tirando despesas como comida, gasolina e etc, provavelmente restam cerca de R$ 200. Ou seja, R$ 100 para cada um, após um dia de trabalho árduo e perigoso.

Logo depois, li que o Ministério Público do Ceará vai pagar R$ 44 mil em diárias para promotores irem à Copa do Mundo.

Os catadores ganham R$ 300 bruto por dia em um trabalho pesado, essencial para a cidade e pouco valorizado. Já os promotores recebem salários centenas de vezes superiores e ainda contam com diárias pagas para viajar.

A conclusão mais óbvia, para começar, é que somos mesmo o país do futebol…

José Aníbal
Economista. Foi Senador suplente por SP e cinco vezes deputado federal.