Blog do Jose Anibal - Deputado Federal

Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010

José Aníbal - Há 25 anos, nascia a utopia democrática 15/01/2010
Há 25 anos, nascia a utopia democrática



 
Há exatos 25 anos, no dia 15 de janeiro de 1985, o Brasil voltava a ser uma democracia, depois de quase 21 anos de ditadura militar.
 
Naquele dia, o ex-governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, foi eleito Presidente da República, recebendo 480 votos no Colégio Eleitoral formado por Senadores, Deputados e delegados das Assembleias Legislativas.
 
Nove meses antes, a Emenda Dante de Oliveira, que restabelecia as eleições diretas para Presidente, apoiadas por 84% da população brasileira, recebeu 298 votos na Câmara dos Deputados, com 65 votos contrários, 3 abstenções e 113 ausências. Era preciso alcançar 320 votos para que ela seguisse para o Senado.
 
Nos três meses seguintes Tancredo apressou as articulações para candidatar-se pela via indireta. Deixou o governo de Minas Gerais em julho e anunciou sua candidatura.
 
Na base da luta política que se seguiu, o jovem José Aníbal, recém-chegado do exílio, já tinha ajudado na coordenação da Campanha das Diretas e, a seguir, no trabalho para eleger Tancredo. Aníbal, então, estava no PMDB.
 
Eleito pelo Congresso, Tancredo começou a montar o governo que restabeleceria a plena democracia no país.
 
Sua posse seria no dia 15 de março de 1985, mas na véspera o Presidente eleito foi internado com uma grave crise que redundaria em sua morte, no Incor, no dia 21 de abril.
 
No dia em que foi eleito, Tancredo pronunciou memorável discurso em que preconizava as ações do governo que nunca chegaria a comandar.
 
As últimas palavras desse discurso são parte inesquecível da História política brasileira:
 
Brasileiros,
Esta memorável campanha confirmou a ilimitada fé que tenho em nosso povo. Nunca, em nossa História, tivemos tanta gente nas ruas, para reclamar a recuperação dos direitos da cidadania e manifestar seu apoio a um candidato.
Em todo o País foi o mesmo entusiasmo. De Rio Branco a Natal, de Belém a Porto Alegre, as multidões se reuniram, em paz, cantando, para dizer que era preciso mudar, que a Nação, cansada do arbítrio, não admitia mais as manobras que protelassem o retorno das liberdades democráticas.
Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão.
Se todos quisermos dizia-nos, há quase duzentos anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, podemos fazer deste País uma grande Nação.
Vamos fazê-la.”



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